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sexta-feira, 27 de março de 2020

O coração e a razão. Brasil em mim...

Esses dias me peguei deitada em posição fetal ouvindo pagode anos 90. Então levantei pra fazer algo, me olhei no espelho, olhei minha tattoo, meu cabelo, me curti, dancei um pouco, sambei fazendo a casa inteira tremer, quase que literalmente, porque a casa aqui treme a cada passo, imagina com pulinhos de uma pessoa desajeitada tentando sambar.

Fiquei ouvindo pagode uma hora, mais ou menos. Consegui me animar por um tempinho. Logo a angústia voltou e eu só não voltei pra posição fetal porque tinha que dar comida pros meninos, lavar louça, tocar a vida. A música mudou de pagode pra Nando Reis, Marisa Monte, sei lá.. Algo por aí. Acho que uns 99% do tempo que estou acordada e sozinha eu estou ouvindo música, 90% das vezes é música brasileira. Agora revisando o texto, estou ouvindo Ira.. "Eu tentei fugir, não queria me alistar. Eu quero lutar, mas não com essa farda".

Há algumas semanas uma amiga me convidou pra ir num bar que ia tocar MPB. A cantora não era maravilhosa e o repertório não era o meu preferido, mas de alguma forma, me senti em casa. Tenho a mesma sensação quando tomo guaraná ou como coxinha, tipo, essas nem seriam as minhas escolhas se eu tivesse no Brasil, mas quando sinto o sabor, tem gostinho de casa.

Ué? Mas não eras tu que não tinha a menor saudade do Brasil e morria de medo de ter que voltar? Sim, essa era eu. Eu, há um ano, dois, três. Não sou a mesma pessoa que eu era quando comecei a escrever esse blog. Vivi experiências que me transformaram. Muita água passou por baixo da ponte nos últimos três anos. Eu ainda tenho medo de TER que voltar, sem oficialmente ter ESCOLHIDO voltar. E essa foi uma das razões de termos mudado pra Irlanda, porque a situação era muito instável na Califórnia.

Nesses pouco mais de três anos fora do Brasil, eu só tive no Brasil uma vez, por vinte dias, sozinha, onde eu passei a maior parte do tempo dentro da UTI segurando a mão do meu pai e quando eu estava fora do hospital, eu estava angustiada com medo de perdê-lo. Voltei pra Irlanda sem ter visto meu pai acordado e ainda sem ter certeza que ele sairia de lá vivo.

Eu nunca fui pra visitar, passar férias, curtir, ir num show da Dbregas e/ou Dazaranha, comer o polvo no marisqueira de Sintra, tomar um vinho com as amigas ou comer um rodízio de pizza com muita pizza doce. Passei na minha casa só por cinco minutos, depois de ter ido na casa do pai, onde vivi outra experiência muito difícil, a de entrar na casa do pai sem ele lá, e sem ter certeza que ele voltaria. Graças a Deus, voltou :o)

Hoje, a Carolina que sou hoje, as vezes tem vontade de voltar. Tenho vontade de morar no Brasil depois de toda a experiência vivida. Depois de conhecer dois países diferentes, depois de viver culturas diferentes, depois de tudo o que eu aprendi, especialmente, depois de ver na prática que não existe país perfeito. Mas como diz minha psicóloga, isso é um desejo, quando o desejo passa a ser realidade, a gente passa a desejar outra coisa.

Percebi que o desespero de voltar diminui bastante quando tenho contato com o Brasil de alguma forma. Quando encontro brasileiras, que eu converso por horas sobre qualquer coisa, porque a gente simplesmente se entende. E não tem nada como falar o teu idioma, falar, verbalizar. Escrever, eu escrevo todo dia. Seja aqui, seja no meu diário ou no whatsapp. Mas falar.. Nossa.. como é importante pra mim gastar meu estoque de palavras falando meu idioma.

Então é isso.. esse post não tem muita conclusão.. é só meu coração, oscilando entre querer voltar e querer ficar. E assim vamos vivendo, um dia de cada vez... Tentando sempre viver o aqui e o agora, o que está "um pouco" mais difícil em meio a essa pandemia.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Mas e os meninos? Estão bem no inglês?

Mas e os meninos? Estão se virando bem no inglês? Arrisco dizer que essa é a pergunta que mais me fazem desde que nos mudamos pra cá. Acho que já deu pra perceber que eu gosto sempre de seguir uma certa ordem cronológica nos meus pensamentos, né? Então, vamos lá.


Com 13 anos eu comecei a estudar inglês no CCAA. "Good Morning, Magic Eyes, How are you? Fine, Thanks, and you?". No CCAA se aprende inglês como os bebês aprendem a falar. A gente escuta, repete sem entender mesmo, depois começa a usar aquelas palavras com algum contexto e assim vai evoluindo. Leitura e escrita vem por último. No CCAA eu costumava ser a melhor aluna, sempre muito elogiada pela pronuncia e por conseguir falar rápido e me fazer entender.

Depois de quatro anos de inglês, comecei a dar aulas. Uma das professoras teve bebê nessa época e vi ela falando inglês com ele e ali decidi que quando eu tivesse filhos, falaria inglês com eles desde a barriga. Preciso dizer que não foi bem assim que aconteceu?

Por imaturidade, parei de dar aulas de inglês. Me afastei quase completamente do inglês (digo quase porque eu nunca deixei de assistir filme legendado, por exemplo), mas sempre acreditei que ele estava ali, guardadinho, e que seria como andar de bicicleta: a gente nunca esquece. 10 anos depois de eu parar o inglês, o Diego começou a trabalhar com a empresa que ele trabalha hoje. E ele, que foi meu aluno um dia, começou a ir ficando cada vez melhor no inglês, enquanto eu permanecia na mesma.

Os meninos tinham o inglês da escola e só. Nunca consegui (e quando conseguiria, não tive coragem) pagar aulas de inglês pra eles. Uns meses antes de dar certo o visto, eu disse pro Lipe fazer duolingo, e ele fazia durante a tarde, um pouco, até encher o saco. O Pablo, nada! Por ele ser mais novo, sempre me disseram que ele aprenderia mais fácil.

Nos mudamos e levou um mês e meio pras aulas começarem. O que eles ouviam de inglês nesse tempo era em vídeos e os motoristas de uber que a gente cruzava, mas não tinham oportunidade de falar. As aulas começaram e na primeira semana o Lipe já tava se comunicando bem. Ele é mais peitudo, mete a cara e vai. Em poucos meses ele já tava me corrigindo e me ajudando com coisas que eu não entendo. A única coisa que me incomoda é ver o Lipe falando I "fink" quando tá querendo dizer "I Think". Fico louca, já expliquei mil vezes, mas não tem jeito, alguma alma ensinou pra ele assim no Brasil e não consigo fazer ele mudar.

O Pablo já teve um processo mais lento. No começo tava completamente perdido. Com o tempo, percebi que ele já entendia inglês, mas se eu perguntasse algo em inglês pra ele, ele respondia em português. O tempo foi passando e ele começou a arriscar a falar. Começaram as férias de verão e ele passou a ter pouca oportunidade de praticar o inglês. Em setembro as aulas começaram na escola nova e em um ou dois meses ele passou a falar mais inglês que português. 

Eu tenho bastante dificuldade pra me comunicar. Tenho impressão que as palavras estão trancadas em algum lugar do cérebro, elas simplesmente não saem. Na verdade, elas estão ali, na ponta da língua, mas não consigo transformar de pensamento pra fala. Então dou voltas, tento explicar com gestos, explico mais ou menos e as pessoas que me conhecem, acabam completando a frase ou falando a expressão correta e menos formal pra me ajudar. Na maioria das vezes eu sabia aquela palavra ou expressão, só não conseguia acessar. Não consigo entender.

Eu tenho ainda pouca oportunidade de conversar. Quando falo, demoro bastante e é difícil fazer uma conversa fluir como eu gostaria, apesar de as pessoas afirmarem que me entendem. Consigo conversar com uma pessoa por algumas horas, se estiver só eu e ela. Mas se tiver num grupo de pessoas falando não me sinto confiante pra entrar na conversa, fico mais observando, já que eu demoro bastante pra conseguir falar o que quero e nem todo mundo sabe do meu processo de aprendizagem.

Apesar de algumas pessoas aqui falarem que meu inglês é bom e que conseguem me entender, eu não me sinto segura falando inglês. Mas algo que acontece, que é interessante, é que eu não noto quando estou falando inglês ou português. Se estou falando inglês com alguém e de repente chega alguém falando português, eu começo a falar português sem perceber, esqueço que as outras pessoas não entendem português (apesar de muitas pessoas aqui falarem espanhol e ficarem curiosas por ser tão parecido). Parece que tem uma chave, que de um lado é inglês e outro português, e essa chave é automática, tu não percebe que ela mudou.

Normalmente os meninos saem da escola falando Inglês e continuam falando inglês sem perceber, até que alguém puxe algo em português, então eles mudam a chave pro português também sem notar. Mas o que hoje, um ano e dois meses depois da mudança, eu consigo perceber é que o inglês já está muito mais presente na cabeça deles do que o Português e mesmo quando eles falam português, eles acabam traduzindo do inglês pro português, como quando eles pedem "posso ter um bolinho de banana?" ou quando o Lipe fala "salvar a bateria" em vez de economizar. Em várias situações eles conseguem se expressar melhor em Inglês do que em Português.

Os meninos estão bem no inglês? Sim, estão melhores que eu, com um vocabulário super melhor que o meu e eles me ensinam coisas novas todos os dias. Tem bastante diferença entre o inglês que ensinam nos cursinhos e o inglês na prática. Também é legal falar, que por melhor que seja a nossa pronúncia, sempre vai dar pra saber de longe que não somos nativos, basta observar qualquer estrangeiro tentando falar português. O Pablo tem a pronúncia mais parecida com os americanos do que o Lipe, por causa da idade. Falamos inglês e português dentro de casa, sem nóias... e assim vivemos, as vezes pensando em português, as vezes sonhando em inglês, sem pressa, sem cobranças, só vivendo. :)

quarta-feira, 21 de junho de 2017

A saga do dentista..

Acho que já falei isso antes, mas aqui o correio é realmente levado a sério e por isso eu olho a caixa de correio todos os dias, afinal, as coisas importantes sempre chegam no correio. Então um belo dia chegou uma carta do distrito escolar, dizendo que novos alunos precisam passar no médico pra um check up e no dentista. Ok, eles já tinham ido ao médico (estou devendo um post sobre isso) e a papelada já estava preenchida. Só faltava o dentista, Ok, temos plano que cobre uma visita, já aproveitamos pra fazer uma limpeza e claro, eu estava curiosa pra saber como funcionavam as coisas por aqui.

Marquei numa clínica especializada em crianças, os dois juntos. A sala de espera tem um telão passando filme e várias telinhas com filme, cartoon network e outras coisas, tudo colorido e bem legal pra crianças. Como aqui eles adoram formulários, ganhei umas cinco folhas pra preencher de cada um, basicamente com informações de saúde e últimas visitas ao dentista. Fomos chamados e a primeira surpresa foi ver as várias cadeiras roxas, uma ao lado da outra, bem diferente do Brasil. Ah, e também não tinha cuspideira.

Pesaram os meninos (sim, pesaram no dentista) e foram direto tirar raio x. Depois da radiografia, eles sentaram na cadeira e foi feita a limpeza e retirada do tártaro, fio dental e flúor. Check!!! Enquanto um fazia isso, o outro jogava videogame. Também tinham TV's dentro desse consultório pra distrair as crianças. A pessoa que estava fazendo todo esse trabalho sempre super querida e sempre elogiando os meninos. O Pablo com mais tártaro que o Lipe, mas até então tudo OK. Então notei que aquela pessoa super simpática era apenas assistente de dentista, diferente do Brasil também, onde quem faz tudo é o dentista.

Terminada a limpeza, chega a dentista pra ver os meus dois e mais outro menino que estava esperando em outra cadeira. Ela tirou o tártaro restante do Pablo e ouvi a palavra "cavity" (cárie). Meu inglês ainda está difícil e quando as pessoas desandam a falar, eu me perco. Mas eu ouvi ela falar cavity e ouvi ela falar four cavities e ouvi ela falar em adult tooth (dente permanente).

Dali pra frente já não conseguia mais atinar nada, fui obrigada a chamar o Diego pra conversar com a dentista, porque eu já tava me sentindo totalmente "menas main". No fim nem dei mais atenção pro pobrezinho do Lipe, que graças ao bom DNA do pai dele, não tinha nenhuma cárie (afinal, ele se alimenta mil vezes pior que o Pablo e come muito mais açúcar). Então fomos embora, com um certificado de "sem cáries" do Lipe e a data do tratamento do Pablo marcada. Dali 15 dias.

Me senti um lixo de mãe. Por que não briguei o suficiente com ele pra escovar os dentes?? Por que não escovei eu mesma mais vezes?? Eu sabia que seria utilizado um gás pra tranquiliza-lo e que se fosse necessário, seria usado algo pra conter os movimentos dele. Isso estava me matando, fazendo picadinho de mim. E detalhe: eu tenho pavoooor de dentista, eu não sabia o que era pior na minha cabeça. Por uma sorte do destino, pra acabar de uma vez com meu sofrimento, ligaram adiantando em uma semana o tratamento. Ufa, vai acabar logo.

Não dormi direito aquela noite e ele tinha que fazer jejum de duas horas. Então fiquei cuidando dele pra não comer nem tomar água antes do tratamento. Então na hora de ir ele começou a chorar dizendo que não iria no dentista. Conversando, ameaçando deixar sem videogame, conversando de novo (as vezes não dou conta da disciplina positiva), ele foi. Chegando lá, me explicaram certinho o que seria feito, me mostraram as cáries na radiografia que estava no sistema do computador, onde seriam as restaurações e tudo bem certinho.

Eu não deveria entrar, mas ele não fala muito inglês ainda e eu pedi pra entrar (na verdade eu estava era com pavor de deixar ele sozinho lá dentro, pensando mil besteiras que nem vou comentar aqui). Então tiraram fotos das cáries pra mandar pro plano de saúde e ofereceram três cheirinhos pra ele escolher, morango, chiclete e laranja. Era o que ficaria no nariz dele com o gás.. Ele escolheu o de morango e colocaram o gás. A TV no teto, fone de ouvido, tudo certinho, tudo lindo, vamo que vamo. A dentista deu a anestesia e ele começou a chorar, chorar, chorar... Fechou a boca, fechou a boca com força. conversei, a assistente conversou, a dentista conversou. Abracei, briguei... A dentista disse que não tinha como, que ele iria ter que fazer com anestesia geral e fez a carta encaminhando pro outro consultório.

Se eu já tava sem chão preocupada com o gás, imagina com anestesia geral?? Que eu sei que a gente morre e ressucita??? Meu filho, de seis anos??? É arriscado demais. Mas não podemos deixar essa cárie assim, ela vai piorar. Vai doer mais que a anestesia e a minha cabeça tava um turbilhão. Pensando nas mil merdas possíveis. O Diego estava demorando pra me buscar. Eu queria chorar, queria correr, queria fugir. O Pablo relutando que não iria a lugar nenhum e que nunca iria no dentista de novo. Até que o Diego finalmente chegou e eu contei o ocorrido.

"Uma semana sem videogame!!!!" E o Pablo começa a chorar de novo. Eu falei que ele não tinha culpa. O Diego já voltou atrás, conversou com ele. Alguém tinha que ser racional, porque eu só tinha vontade de chorar de medo da anestesia geral. Sei que o Diego conversou com o Pablo e ele topou fazer. Eu fiquei bem feliz, porque ele ainda tinha mais uma hora de anestesia. Vamos torcer pra dentista atender ele de novo.

Voltamos lá, a dentista falou que tinha toda a agenda preenchuda, mas que ia tentar. Daí veio o assistente, disse que ligou pra paciente das duas horas e tinha caido na caixa postal, então não podia me responder se daria pra atender o Pablo ou não. Falei que esperaríamos. Eu saí pra dar uma caminhada, porque eu tava enlouquecendo. Voltei, veio outra assistente e disse que a dentista iria atender, mas que como já tinha passado muito tempo, ele teria que tomar outra anestesia. Levei o Lipe pra comer algo e o Pablo ficou com o Diego.

Quando voltamos, eles já não estavam na sala de espera. Tentei olhar facebook, instagram, jogar qualquer coisa no celular, como se meu filho tivesse passando por uma cirurgia absurdamente complicada. Eram apenas algumas restaurações,  maaaaaassss eu tava pirando. Finalmente escutei a voz dele, conversando super feliz. A dentista veio e me disse que ele fez tudo bem certinho e não deu um piu. Disse que tem filhos e sabe que as crianças sabem muito bem com quem podem fazer o charme e com quem não podem. E eu fiquei com aquela cara de tacho.

Voltando pra casa, perguntei pro Pablo: "filho.. porque com a mãe tu fez aquele escândalo todo e com o pai tu não fez nada?" e a resposta direta dele foi: "porque eu já tinha feito!!!!" hahhahhahhahahhahahahha!!! Só pude rir, tipo, ele já tinha feito escândalo, não precisava fazer de novo. :P Filhos, filhos... Só tendo pra entender. 

Agora o Pablo tem coisinha prateada no dente, com seis anos de idade e a mãe tem ainda mais história pra contar. :) E não, não tive vontade de dar umas surras, como me perguntaram. Só consegui rir da situação e pensar num post sobre as tais "surras", já que duas pessoas me sugeriram isso quando contei a história.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Beep Beep.. Curiosidades do trânsito na Califórnia

A idéia, como sempre, era falar da carteira de motorista e das curiosidades do trânsito num único post. Mas eu falo demais, essa sou eu. :)

Como eu disse, eu reprovei no primeiro teste escrito e isso tem bastante relação com a diferença de regras. Apesar de muitas perguntas serem óbvias, tipo: Você está passando por um acidente, o que você deve fazer? a) Continuar seu caminho com cuidado; b) Reduzir a velocidade pra ver o que está acontecendo; c) sei lá o que eles colocaram aqui. Mas enfim, tem algumas que não são tão óbvias, como saber qual a pena caso de abandono de animal na estrada. Como o fato de ser permitido estacionar na pista das bicicletas.. oi!?

Enfim, vamos as curiosidades. Primeira coisa a acostumar, claro, aqui a distância é medida em milhas e não em quilômetros, então você precisa se habituar com as "novas velocidades". Meu primeiro comentário idiota aqui foi: "Que estranho, tu tá andando a 40 e parece que tá tão rápido.." (No coments sobre meu comentário, please).

Segunda coisa que aprendi: aqui você pode virar a direita mesmo que o sinal esteja vermelho (a não ser que tenha uma placa específica dizendo que você não pode). Você precisa ter muita atenção, pois o sinal do pedestre na rua que você está entrando pode estar aberto. 

Pedestres sempre tem preferência, mesmo que eles estejam atravessando fora da faixa (não é comum encontrar, pois tem bastante faixa de pedestre em todo canto). Ah, e as faixas na maioria das vezes não são listradas como  no Brasil. Alias, as vezes nem pintadas elas estão. Mas basta fazer menção que vai atravessar a rua e o motorista vai parar pra você passar. Nota: Não fique parado numa esquina, pois você vai acabar fazendo alguém de idiota, achando que você quer atravessar.

Os cruzamentos aqui são assustadores. Quando você vai virar pra esquerda, outros carros virão na sua direção. Mas esses carros também virarão pra esquerda e ninguém vai bater em ninguém.. mas levamos um susto na primeira vez. Normalmente nesses casos tem um sinal (semáforo) com a flecha pra esquerda.

O trânsito flui melhor assim. Leva um tempo pra acostumar, mas funciona muito bem. Ainda sobre virar a esquerda, se você estiver em uma via de mão dupla e quiser virar a esquerda, você terá que esperar as pessoas vindo na sua direção passarem, pois os sinais vão abrir juntos. No começo achei a maior loucura, achava que não seria seguro, especialmente o sinal de pedestre que abre junto com alguns outros sinais e também a situação de virar a direita, mas vivendo aqui esses meses, percebo que funciona muito bem, simplesmente porque todo mundo se respeita.

Claro que você leva uma buzinada se fizer coisa errada, mas as regras de trânsito são super respeitadas. É muito interessante de observar, por exemplo, se você estiver na calçada como pedestre e tiver um motorista que precisou avançar a calçada pra visualizar o trânsito, o motorista provavelmente irá dar ré pra te dar passagem pela calçada.

Outra coisa interessante são os crossing guards. Em frente a todas as escolas (pelo menos as Elementary), nos horários de entrada e saída terá um guarda, vestindo um colete refletor e uma placa de STOP. Eles sinalizam para os carros pararem, mesmo que tenha uma única pessoa pra atravessar. E quem não respeitar, leva um xingão, seja motorista ou pedestre. Aprendi isso como pedestre, não quis tirar ela da sombra só pra eu atravessar e ela brigou comigo, disse que é fiscalizada e que ela teria problemas se vissem que eu atravessei sem ela. 

As regras de trânsito são realmente, realmente, realmeeeente levadas a sério. Os ônibus escolares tem luzes diferentes pra cada situação. Se a luz vermelha estiver piscando, você não pode passar o ônibus, provavelmente porque uma criança vai atravessar a rua. Se for a luz amarela que estiver piscando, você pode passar, mas com atenção.

Se você estiver num cruzamento com STOP em todas as direções, quem tem a preferência é quem chegar primeiro. SIIIIMMM!!!! E as pessoas respeitam. Se chegaram ao mesmo tempo, a preferência é de quem está na direita, e siiiiimmm, as pessoas respeitam. E se tiver fila de carros em várias direções, vai um carro de cada fila. Simples assim, as pessoas respeitam, ninguém tenta se achar o gostoso e passar na frente de quem chegou primeiro, as regras de trânsito existem e simplesmente são seguidas.

Ah, e claro, o famoso look over your shoulders, quando você trocar de pista você DEVE olhar por cima dos seus ombros além de olhar os espelhos. Há quinze anos, quando fiz minha carteira, fui ensinada a utilizar somente os espelhos retrovisores e jamais me virar pra olhar pra trás, inclusive fazer balisa e qualquer tipo de ré. Me ensinaram que um bom motorista teria que saber dirigir utilizando somente os retrovisores, pois bem, aqui você pre-ci-sa olhar por cima dos ombros pra verificar o ponto cego, o que sinceramente, demorei a me acostumar, mas hoje não vivo sem. Esqueci algumas vezes durante o teste de motorista e achei que seria reprovada por isso, mas não fui, ufa.

Ah, e uma coisa chata, nunca, nunquinha assuma que um motorista vai dar uma "aliviada" pra você trocar de pista ou entrar na pista. Essa é a única parte que eu acho chata, os motoristas não aliviam (e também não esperam que você alivie). Hoje ainda levei um susto, o carro na nossa frente parou pra virar a esquerda e fiquei olhando no retrovisor sem respirar, com medo de que alguém batesse na nossa traseira, mas todos trocaram de pista super tranquilos, sem reduzir a velocidade.

Bom, acho que é isso que eu tinha pra falar sobre o trânsito, escrevendo esse post fui me lembrando do que eu tanto queria. Eu queria viver outra cultura e acho que eu queria mesmo mesmo, era ter história pra contar.. :)

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Beep Beep.. Carteira de motorista na California :)

E hoje finalmente passei no "behind the wheels test". Finalmente porque fazem três meses que estamos aqui (apesar de o post estar programado pra ser publicado em junho) e só agora tenho liberdade pra dirigir.

Alugamos três carros desde que chegamos, um na chegada no aeroporto, um pra passar natal e ano novo (no fim ficou praticamente estacionado na garagem todo o tempo porque o Diego ficou doente) e um pro feriado de Martin Luther King. Final de janeiro finalmente compramos o nosso. Foi mais fácil do que esperávamos, ainda estou com medo de descobrir que fizemos algo errado. Mesmo sendo um carro zero e não tendo crédito (um dia explico essa história de crédito por aqui), conseguimos um bom financiamento, com entrada baixa e parcelas baixas. As taxas de juros pra quem não tem crédito são mais altas do que pra quem já tem crédito, mas ainda assim, mais baixas que no Brasil, sem contar que o valor do carro é bem mais acessível.

Todas as vezes que alugamos carros, o Diego ficou como motorista principal, então não pude dirigir, pois meu nome não estava no seguro. Quando compramos o nosso, o Diego também não tinha licença da California, então o seguro ficou super caro. Se colocasse o meu nome junto, ia ficar caríssimo.  Aqui você precisa provar que pode arcar com as despesas em um possível acidente. O seguro mais simples aqui envolve somente danos a terceiros, seu carro que se exploda. O que importa é que você não cause prejuizos a outras pessoas. E você paga o seguro por pessoa que dirige o veículo. Não sei como fica se você emprestar seu carro, mas enfim, optamos por enrolar mais um pouco só ele dirigindo.

Como eu ando medrosa, ele fez a carteira de motorista primeiro, pra me contar como era.. Ele precisou passar no oftalmologista porque tem um problema de visão e o teste de voltante dele foi mais demorado, também por causa do problema no olho esquerdo. Ele já tinha feito o teste escrito e disse que era tranquilo e confiando nisso, fui fazer o teste sem estudar.

Pra fazer o teste escrito têm vários computadores com touch screen que você usa pra responder as perguntas em pé mesmo, sem ninguém te olhando. Você coloca o polegar no identificador e te vira. Você pode errar cinco questões, se não me engano. Você pode pular questões, mas vai ter que respondê-las no final. No final aparece a mensagem dizendo se você passou ou não.

Como eu reprovei na primeira tentativa, estudei todo o livro do código de trânsito da Califórnia e fiz os simulados disponíveis no próprio site do DMV várias vezes. Você tem a opção e fazer o teste na sua língua nativa, mas eu descobri depois que já tinha estudado o livro inteiro em Inglês. Bom, dessa vez eu passei. :)

De maneira geral, todos os funcionários do DMV (Equivalente ao Detran no Brasil) são super simpáticos e felizes trabalhando. As filas são imensas, mas eles sempre te atendem bem. Enquanto eu esperava pra marcar o teste de volante, um atendente velhinho super simpático saiu pra tomar café, na mesma velocidade que o Flecha (foto). Ri muito internamente lembrando do filme, porque ele é realmente um querido, mas andava de bengalinha bem de-va-gar.

 Na hora de marcar o teste, a moça me perguntou se eu tive carteira de motorista antes e eu respondi que não. Na minha cabeça, ela perguntou se eu tive carteira de motorista nos EUA, mas enfim, diante da minha resposta, ela colou um adesivo gigante na minha carteira provisória dizendo que eu só poderia dirigir com algum motorista habilitado, ou seja, eu só poderia dirigir com o Diego do meu lado. Se eu tivesse mencionado minha carteira no Brasil, eu poderia dirigir sozinha, pois provaria que eu já sabia dirigir.

Enfim, marquei o teste pra três semanas depois, pois queria treinar. Dirigi por 15 anos no Brasil, as regras mudam um pouco/bastante e eu também precisava me acostumar com o carro automático (sempre achei que a emoção maior de dirigir era passar a marcha, mas aqui carro com câmbio manual é raridade).

Treinei muito pouco. O fato de o Diego ter que estar do lado limitou meus treinos aos finais de semana.. Chegamos no DMV na hora marcada (Diego junto, pois eu precisava sempre de um motorista licenciado junto comigo) e ficamos uma hora na fila esperando pra fazer o teste.

Quando chegou minha vez, a avaliadora disse que o Diego deveria sair e conferiu comigo os itens de segurança no carro. Seta pra direita, seta pra esquerda, pisca-alerta, luz de freio, farol, buzina, limpador de parabrisas, farol e desembaçador. Também precisei fazer os sinais com a mão, pra direita, esquerda e parar.

Então ela entrou no carro e fomos "passear". O teste durou apenas 15 minutos, o trajeto era curto. Passamos por área residencial, escolas, faixas de pedestres, pedestres fora da faixa, cruzamentos, virei pra esquerda, virei pra direita, dei ré. Ela ia anotando e rabiscando o papel. Engraçado, faço isso há quinze anos, amo dirigir, mas ser avaliada me dava um baita frio na barriga. Ter reprovado na primeira tentativa do teste escrito me deixou apreensiva também. Quando estacionei e ela disse que fui aprovada, nossa, deu um alívio imenso (vamos desconsiderar que eu poderia cometer 15 erros leves e eu cometi 14, mas basicamente os erros eram por andar muito devagar e ser cautelosa demais nos cruzamentos e faixas de pedestres, acreditem). Finalmente posso dirigir, volto a ter a liberdade que tanto gosto, ir onde quero, na hora que quero, não depender de uber/lyft ou marido. Ufa..

quarta-feira, 31 de maio de 2017

O que sinto falta da vida no Brasil..

Dizem que a comparação é inimiga da felicidade, realmente é, mas acho que numa mudança de cultura tão grande é inevitável comparar. É inevitável sentir falta de algumas coisas e preferir outras. Não pretendo me alongar muito nesse post, mas vamos ver onde ele vai dar. :)

Pão de queijo. Ah, com certeza é a primeira coisa que eu sinto falta, hehehehehhe. Eu comia pão de queijo todos os dias e encontrava pão de queijo em qualquer esquina, literalmente. Se eu fosse tomar um café na rua com certeza envolveria pão de queijo (e sempre que possível, chocoleite).  Na rodoviária, aeroporto, padaria famosa, mercadinho de bairro... todo lugar tinha pão de queijo. Aqui tem pão de queijo congelado, mas só em alguns mercados e a experiência é bem diferente de tu passar na padaria e pegar um pão de queijo quentinho.

Pão francês, pão salgado, pão de trigo. Eu comia com banana frita, com ovo mexido, com queijo e presunto, puro, com doce de leite... nham nham, deu saudades e água na boca! :oP Tem algo parecido nos mercados aqui, mas sinceramente não me convenceu, é meio adocicado, "massudo", sei lá. Não tem nada a ver com o pãozinho do Koch ou do Angeloni que eu adorava. Comprei baguetes algumas vezes e quebra um galho, lembra mesmo o sabor do pãozinho de trigo, mas assim como o pão de queijo, a experiência é bem diferente de comprar pãozinho todo dia.

Santo Antônio de Lisboa. Sinto falta não só do Polvo do Marisqueira de Sintra, mas daquele lugar de maneira geral. É simplesmente mágico, uma energia inexplicável. Tínhamos Floripa inteira pra explorar (aliás, Santa Catarina inteira), mas não conseguíamos deixar de ir lá. Tinha um parquinho pras crianças, o pôr do sol, pastel de berbigão, feirinha de artesanato, além das várias noites que o Diego tocou naquele bar do lado da igreja. Morro de saudades.

Nossa casa. Não preciso nem comentar, né? Sinto falta do sofá que eu tinha, da rede, de poder deixar as crianças pularem a vontade, do meu varal, da minha grama, das minhas árvores, das minhas flores. Mas hoje sinto uma saudade gostosa e não mais uma saudade com pesar. Nosso lar já é aqui agora e a casa de Tijucas certamente vai ser vendida assim que for desocupada, pois por mais que algum dia a gente volte pro Brasil, provavelmente não será pra Tijucas. :)

Por muito tempo senti falta de fazer as unhas. Eu sou totalmente estabanada, não arrisco colocar um alicate na minha cutícula sendo que quem tá manuseando o alicate é minha mão esquerda, a mão direita já seria risco suficiente. Fiquei quase cinco meses sem fazer, encontrei uma manicuri brasileira e fiz as unhas algumas vezes. Mas é engraçado, o serviço dela foi bacana, mas não tenho mais a menor vontade de fazer, não sei explicar, acho que simplesmente mudei.

Deixar os filhos com a vó pra fazer algo com o marido. No Brasil os pais do Diego moravam no mesmo bairro que a gente e minha mãe a uma hora de distância. Qualquer coisa que a gente quisesse fazer, era só deixar eles com a vó, seja lá qual fosse. Aqui ainda não saimos nenhuma vez sozinhos. Queremos explorar alguns restaurantes diferentes, mas ficamos totalmente limitados aos que possuem batata frita, já que o Sr. Felipe não experimenta nada de novo. Ainda não tive confiança pra deixa-los com babysitter ou talvez ainda não tenhamos encontrado a ocasião que valha a pena.. :)

Ao mesmo tempo que velhos hábitos ficaram pra trás, novos foram surgindo. Por exemplo, agora usamos abacate no hamburger e no pão com ovo, temos uma torradeira e sempre comemos pão torrado. Como não tem almoço na vó todo final de semana e arroz e feijão não se encontra em qualquer boteco como no Brasil, sempre temos arroz e feijão na geladeira. Aqui não passo roupa e toda a roupa vai pra secadora. A louça é quase toda lavada na máquina, dishwasher é vida.

Agora o Pablo toma café da manhã antes de sair de ir pra escola e tiramos os sapatos antes de entrar em casa. Também limpamos a casa todos juntos pela primeira vez na nossa história (já que sempre tivemos quem limpasse pra gente). Aqui também olhamos a caixa de correio todo dia, já que o correio é levado a sério. Os meninos levam marmita pra escola e vamos a parques e museus com bem mais frequencia.

São tantas pequenas mudanças. Não temos mais Santo Antônio de Lisboa mas temos a HighWay one, que é um presente que ganhamos por morar na California, onde podemos ver o pôr do sol espetacular, que não tem foto que demonstre. Não tem pão de queijo a toda esquina, mas tem donuts e bagels. Não tem pão frances, mas tem comida de todo o mundo pra experimentar. Não tem a nossa casa daquele jeitinho, mas tem aquecimento no apartamento (eu sempre odeiei ficar encolhida durante todo o inverno no Brasil).

Não saio sozinha com o marido, mas temos um país inteiro pra explorar em família. Não temos a vó pra deixar os filhos, mas estamos oferecendo uma educação, no mínimo, diferente pros nossos meninos.

Algumas nos chamam de corajosos, outros dizem que somos loucos. Apesar de o começo ter sido extremamente doloroso (muito mais pra mim do que pros meninos), tenho certeza que fizemos a escolha certa e eu faria tudo de novo. A vida é muito curta pra fazer exatamente a mesma coisa em toda ela. Mas isso é só uma questão de opinião. Bom, acho que me alonguei.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Viagem da Fofinha

Lá em 2014 nós adotamos a Fofinha. O Pablo vinha pedindo um cão pequenininho e peludinho já tinha um tempo. Tinham abandonado um cãozinho no sítio do meu sogro, que ele tinha levado no pet shop pra dar um banho e o cão estava na casa dele. Eu bem o conheço, sabia que logo ele iria se desfazer do cãozinho. Ela era tão querida. Levei na nossa casa, como quem não quer nada, pra ver como o Diego reagiria. Não lembro como aconteceu, mas ela foi ficando. O Pablo nem deu mais bola pra ela, mas o Lipe de apegou de uma maneira... Mas não podemos negar, todos gostamos dela. 

Ela é uma pentelha, incomoda, afinal, é um cachorro. Mas é parte da nossa família. Sou sim mãe de um cão. Ela é uma figurinha, se deita de barriga pra cima pra ganhar carinho de qualquer um que passe perto dela. Sobe na minha cama, mas quando escuta o Diego chegar desce, porque sabe que vai levar bronca. Mentira, ela já perdeu o medo do Diego faz tempo! E sendo parte da nossa família, óbvio que ela teria que vir.

Claro que ouvimos várias pessoas dizerem que cachorro é tudo igual, que era só comprar um cachorro aqui e blá blá blá. Mas não. Além do amor do Lipe por ela, ela é ela. Ela é única. É dela que gostamos. Não é assim que funciona, compra outro que tá tudo resolvido. Mas então fui buscar informação pra traze-la.

Primeiro de tudo perguntei pra uma amiga que mora no Texas que já tinha trazido o cão dela. Ela me indicou uma empresa chamada Carga Viva. Fiz o orçamento e era o preço do meu fígado. Mais de R$5.000,00 pra trazer um cachorro???  Pqp.. comecei a pesquisar mais, outras maneiras de trazer e outras empresas. Ela poderia vir com a gente como bagagem, mas eu achei que dois filhos, um monte de mala e mais um cachorro pra dar conta não seria fácil. Sairia mais barato, claro, mas seria infinitamente mais estressante.

As outras empresas não pareciam saber o que estavam fazendo, não me passavam confiança e os orçamentos eram meio estranhos. Então, quando soubemos que as nossas passagens seriam pagas pela empresa, deu uma folguinha e voltei a conversar com a Carga Viva.

Eles fazem tudo. O cão só precisa estar com as vacinas em dia. Aliás, a da raiva é a única que eles exigem pra entrar aqui. Tirei as medidas da Fofinha umas 10 vezes e mandei pra eles. Mandei a carteirinha de vacinação dela pelo correio, junto com um atestado da veterinária dela de que ela estava bem.


Me mandaram a caixa. Um dia antes de embarcarmos o Diego deixou a Fofinha, a caixa e os documentos necessários com o vocalista da Dbregas que morava perto do aeroporto em Floripa. Na terça feira ela foi deixada no aeroporto em Floripa. Ela ficou num pet hotel em Guarulhos enquanto a empresa providenciava os últimos atestados.

Na quarta feira ela embarcaria em Guarulhos. E então a Carga Viva me liga dizendo que a cia aérea não estava aceitando a caixa dela e que eu precisava depositar R$640,00 pela caixa correta. Minha cachorra lá, longe de mim, o que eu ia fazer??? Sozinha em São Paulo! Depositei correndo. Na hora nem questionei o fato de eles terem me mandado a caixa errada.

O segundo vôo dela era pela United Airlines pra Houston, um aeroporto que tem tratamento pra pet, onde teoricamente eles são cuidados entre os vôos, onde as caixas são limpas e eles são alimentados. Teoricamente, eu teria acesso em tempo real pra ver onde ela estava. Teoricamente.

O coração já estava na mão por causa da viagem dela. Pensar na pobrezinha no bagageiro do avião, sozinha, sem entender, sem a gente, devia doer o ouvido, sei lá. E não pode dar remedio pra sedar, pois com a turbulência o animal pode se machucar se estiver sedado. Ok. O sistema da United Cargo estava fora do ar. Liguei pra Carga Viva, perguntei o que eu deveria fazer. Me orientaram a busca-la no horário combinado.

Quinta feira, onze horas da noite, um horário maravilhoso pra andar com criança dormindo de Uber (ironia mode On), eu estava lá, pra retirar a Fofinha no balcão de cargas. E o moço super simpático (de verdade) e com cara de assustado me diz: "Não, não veio nenhuma carga viva nesse vôo".

Ótimo! Ainda bem que as crianças estão dormindo e não vão se desesperar, já basta eu desesperada aqui. Então o moço querido telefona pra uma galera, até que dizem pra ele que nenhuma carga foi despachada naquele dia porque o sistema estava fora e que ela estava em Houston. Ok. Respira fuuuuundo. Em Houston tem tratamento especial pra pet.. ela deve estar assustada, mas tá alimentada e limpa. Volta pra casa. Paga uber pra voltar. Crianças dormindo no colo. Até que é melhor que o cachorro não esteja aqui, como a gente ia levar todo mundo???

No dia seguinte fomos busca-la de novo. Dessa vez ela estava lá. Tentei fazer um vídeo, mas a emoção era tão grande que no vídeo só tem chão, kakakakakakkaka. Que alívio receber ela, que alegria. Não sei quem tava mais feliz, eu, ela, o Lipe ou o Pablo.. o vídeo tá guardado.. porque dá pra sentir a emoção no áudio. Foi muito bom estar com ela de novo. Família completa. :)

Sobre a empresa Carga Viva, tive que insistir um pouco pra receber o reembolso de R$550,00 da primeira caixa que foi enviada, já que a caixa ficou com eles e estava nova (além de eu ter medido conforme orientação e eles terem me mandado aquela caixa). Também fiquei bem chateada com o tratamento com relação ao sistema fora. Eu perguntei o que deveria fazer. Eles não entraram em contato com a cia aérea pra ver se estava tudo OK. Espero não precisar do serviço deles de novo. Mas ainda assim, acho que de maneira geral, foram bons. Se realmente eu precisar novamente, vou procurá-los.

Sobre a United Cargo fiquei chateada por não terem avisado que a "carga" não seria despachada e principalmente, a Fofinha estava morrendo de fome e sede quando a pegamos.. me parece que ela ficou em Houston e não foi devidamente tratada. Mas ela está comigo e é isso que importa agora.

Sinceramente, espero não precisar transportá-la novamente, foi muito angustiante e mesmo eu tendo contratado uma empresa pra fazer o serviço, acabei me incomodando.

Fofinha com a gente, e agora? Como faz pra levar pra casa? Nem todo motorista de Uber aceita animais. Eu precisaria mandar mensagem pra avisar que tinha um pet e o motorista poderia cancelar a corrida caso não concordasse em levar animal. Fui mandar mensagem e o aplicativo não reconhecia o número, pois meu uber tava cadastrado ainda com o número do brasil, afe maria.

Sorte que tinha um motorista de Uber parado bem na frente do aeroporto e acabou nos trazendo "por fora". Nem usei o aplicativo. Todo mundo saiu ganhando. Eu paguei mais barato e ainda assim ele ganhou mais, pois não precisou dar a porcentagem do uber. Ainda viemos conversando no caminho sobre a viagem da Fofinha, a tragédia da chapecoense e mudanças.. :)

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Chegada..

Dia 3 de dezembro pisamos em solo americano. Passamos na imigração. Eu morria de medo de eles nos barrarem na imigração, mas o cara que nos atendeu foi simpático. Depois passamos por outro lugar e lembro que o cara olhava o passaporte do Pablo, olhava o Felipe e chamava o Felipe de Pablo, ou vice versa, não lembro exatamente de quem era o passaporte e quem era o confundido, heheheheheh. Mas daí falamos, não, esse é o outro. Ele olhou que tinha outro rodopiando ali perto e abriu um sorriso e disse algo do tipo: "nossa, eles são muito parecidos". Confesso que aquele sorriso me deu uma paz gigante, porque eu estava com medo, sei lá, talvez por causa daquele filme "o terminal" que o Tom Hanks fica morando no aeroporto por meses.

Passamos dessa segunda parte e a diferença entre chegada do vôo do Brasil e o vôo do Texas pra San José era de apenas duas horas. Já tínhamos certeza que perderíamos o vôo. Mas então chegou um carrinho e um carinha também simpático perguntando que horas era nosso vôo e qual o nosso portão, respondemos e ganhamos uma carona. Deu tempo, ufa!!!! Nesse vôo sobrevoamos o Grand Canyon e lembro de sentir muita emoção. Um pouco de medo também. Os meninos estavam dormindo, cansados da viagem, tinha pouca gente no avião e eu ficava trocando de poltrona pra olhar tudo, bem turista, kakakakakakka.

Descemos em San José. E agora? O mau humor se instalou. Chegamos de manhã e só poderíamos entrar no nosso airbnb as 4 da tarde. Era frio, estávamos cansados. Seis malas, golias, ursinho, trompete... Trompete cai do carrinho, Diego bufa. Não adianta pegar um taxi, não podemos entrar no Airbnb ainda. Telefone não funciona pra usar o maps. Vamos alugar um carro, ok. O aluguel de carro ficava do ooooooutro lado do aeroporto. Começou a bater um desespero. Meninos cansados, nós também, aquela parafernalha pra carregar pra cima e pra baixo, eu só agradecia por não ter trazido o cachorro junto no mesmo voo.

Ficamos mais de uma hora reclamando da vida, sem tomar a decisão de alugar a porra do carro. Os meninos com fome, de saco cheio de esperar. Eu e o Diego com aquele ódio um pelo outro. Não sei exatamente o que estava acontecendo ali, mas foi tenso. Naquela época e nos meses iniciais eu não tomava iniciativa pra nada, como se o Diego estivesse mais preparado do que eu pra fazer tudo, então eu largava tudo no ombro dele. Passados mais uns minutos de climão, finalmente o Diego resolveu ir lá e alugar o carro.

Passamos num Mc Donalds pra comer qualquer coisa, mas ainda era cedo e só serviam o café da manhã. Foi interessante comer um sanduiche de panqueca com bacon, mas não tinha nada que o Lipe comesse. O pobrezinho foi sobrevivendo de bolacha que eu tinha levado na bolsa, afinal, conheço o meu filho e sabia que a alimentação dele seria um problema. Enfim, dali fomos direto a um shopping comprar chip pros nossos celulares. Não lembro o que fizemos além disso. Mas as quatro da tarde estávamos na nossa casa provisória. No dia seguinte compramos lego minicraft como prometido e o Xbox, pra suavizar a mudança pros meninos. Também fizemos nossa primeira compra no mercado e a nossa nova vida começou a começar. :)

quarta-feira, 29 de março de 2017

Encaminhando pra entrevista do consulado...

Visto aprovado, ok. Mas ainda tinha a entrevista no consulado. Apesar de não encontrar nada dizendo que alguém foi reprovado na entrevista pra esse tipo de visto, não tinha nada realmente definido. Entrevista marcada pros dias 3 e 4 de novembro, check! Estamos mais pertos do que nunca. Vamos continuar vivendo a vida.

O Pablo não aceitava a possibilidade de mudança, ele dizia que não viria de jeito nenhum. Daí eu disse que aqui o café da manhã era panquecas e então ele topou vir. Mas logo já mudou de ideia e disse que não queria vir de novo. Então eu contei que aqui tinha banheira grande pra tomar banho (ele tomava banho numa bacia em Tijucas, era o único jeito de rolar banho sem briga) e então ele topou de novo. Mas o sistema imunológico do Pablito tem conexão direta com meu estado emocional, desde a barriga ele é mega conectado comigo, lembro muito bem das cambalhotas que ele virava na minha barriga quando eu estava nervosa com o trabalho.

Uma semana depois do resultado do visto ele apareceu com uma "pipoca" no lábio pela manhã. Fui levar ele na natação a tarde e encontrei outra pipoca. Desisti da natação naquele dia e no dia seguinte eu levei na pediatra. Catapora!!! Beleza! o Lipe só teve sete pintinhas, o Pablo vai tirar de letra. A pediatra me explicou que vem uma febre e saem as pipocas., depois outra febre e mais pipocas... e tudo depende do número de "camadas" que vão surgir. Agradeci por poder estar em casa com ele. Continuar vivendo minha vida e cuidar do meu pimpolho... Não!! Péra!! Minha mãe não sabia se eu tinha tido catapora na infância, logo não posso trabalhar com grávidas por até 20 dias depois de secar a última pipoca do Pablo. Não creio!! Não vou mais trabalhar como Doula antes de me mudar.

A segunda edição do curso de preparação para o parto era naquele final de semana, eu estava empolgadíssima pra participar. Eu ia falar de amamentação e puerpério, tema que tanto amo. E meu sobrinho que está pra nascer??? Minha cunhada não tinha deixado claro se queria minha presença no nascimento, mas agora era certeza que eu não ia poder participar. E as rodas de gestantes? Já era...

Mas tudo isso passou a ser "um nada" a medida que as pipocas iam aparecendo. Em vez de curar as pipocas que já existiam, surgiam cada vez mais... No primeiro dia ele brincava normal, mas depois passou vários dias bem caidinho, triste... Vomitava o que comia, as pipocas em vez de coçar, como todos falam, doíam (porque eram imensas). Foi beeeem difícil. E eu só agradecia por poder estar em casa com ele. Nem lembrava de visto ou de qualquer coisa do resto do mundo.

Com o tempo ele foi melhorando, voltou a ser o menino serelepe de sempre e nós tínhamos a tal entrevista. Como ele já estava ótimo, todas as pipocas estavam sequinhas e ele já podia voltar a ir pra escola, ele ficou na casa da vó junto com o Lipe.

As passagens aéreas estavam impagáveis, então fomos de carro. Saimos de madrugada (aliás.. quem conseguia dormir aquela noite?) e fomos. Estava chovendo, pra ter mais emoção, claro.. No primeiro dia era só bater foto e entregar o passaporte. Tínhamos planos de jantar em algum restaurante bacana, mas a ansiedade era tanta que o estômago estava revirado. Juntando o cansaço de uma noite não/mal dormida, acabamos ficando com alguma coisa do frigobar mesmo.

Não lembro que horas era a entrevista, mas estávamos em frente ao consulado antes de abrir.. Tenho pavor de ficar sem celular quando os meninos não estão comigo.. mas era necessário. Passamos pela segurança e fomos pra uma fila pro nosso tipo de visto. O cara olhou 30 vezes os passaportes e nos olhava com uma cara de mau inesquecível. Não lembro se fez alguma pergunta, mas nos mandou pra outra fila...

quarta-feira, 15 de março de 2017

E o ano longo continua se alongando..

Fomos sorteados na loteria. OK! Tinhamos lido alguns, talvez vários... Na verdade muitos blogs de pessoas que tinham passado por essa experiência. Não sei porque cargas d'água acreditamos em um um pouco mais antigo que falava que tinham sido sorteados em maio, em julho tiveram resposta e se mudaram em outubro. Sim, a informação sobre se mudar em outubro estava em vários blogs, inclusive a empresa citou o mês de outubro. Mas falando "manezês", invocamos com a ideia de que a resposta sairia em julho.

Continuamos vivendo nossa vida.. cada dia parecia uma semana, ok.. mas estávamos vivendo nossa vida.. dia 10 de maio assisti o primeiro parto humanizado como Doula.. lembro que ainda comentei com a enfermeira obstetra sobre ter sido sorteada na loteria. Na semana seguinte encontrei finalmente aquela obstetra. Ela tinha ideias maravilhosas e eu não podia dizer que não, porque eu não tinha certeza da resposta do visto. Mas me sentia uma traidora por dizer que sim.

Lembro que ela pediu pra eu conversar com uma Doula já parceira dela e mais experiente. Mandei mensagem pra essa doula, ela demorou um tempo pra me responder, mas quando conversamos ela me explicou que precisava treinar alguém pra não deixar aquela obstetra na mão, pois ela ia mudar de país. Fui obrigada a confessar, não podia embarcar naquela jornada, pois ela poderia me treinar e eu ia pular do barco praticamente junto com ela. Lembro que conversei com ela já super pra baixo porque eu tinha perdido meu vôo pro SIAParto. Ainda essa!!! Fui de ônibus mesmo pro SIAParto (12 horas de viagem, mas eu não iria perder por nada, afinal, poderia ser que eu não estivesse no Brasil no próximo). Estava chateada com as coisas dando errado...

Não falei mais com aquela obstetra e assim o tempo foi passando... Eu olhava pra cada objeto da casa e me perguntava o que ia fazer com cada um quando me mudasse... o que traria, o que deixaria, o que doaria... o Diego queria e precisava de uma cadeira decente pra trabalhar, mas não adiantava investir numa cadeira se não daria pra trazer. Não compramos mais roupas. No início do ano eu aprendi a tomar vinho e eu queria taças de vinho, mas não comprava porque não daria pra trazer.

A sensação de limbo, de banho maria, de não poder tomar decisões simples estava mos matando. E nos engordando, pois fazíamos algo pra comer duas, três vezes na semana. O que vai ser hoje? Pizza ou hamburger? Quem sabe guacamole, ou peixe, vinho, piña colada, amarula pra mim e cerveja pro Diego... Foram algumas garrafas ao longo do ano. Fora que íamos toda quinta feira comer x no Zeca (melhor caseirinha do mundo) e quase todo fim de semana íamos no Zorzi (melhor rodízio de pizzas do mundo também.. :P).

Queríamos contar pras pessoas somente quando tivesse tudo certo. Já era suficiente a nossa agonia. Não queríamos mais ninguém ansioso. As minhas amigas próximas sabiam, mas só. Família não sabia e nem a Dbregas. Então começaram a aparecer shows em outubro e novembro e o Diego teve que contar... O pessoal ficou bem chateado com a mudança, todos amavam o El Cabron, a banda era praticamente uma família.

E julho chegou... chegou dia primeiro... e todos os dias eu pensava que o Diego ia aparecer daquele mesmo jeito com a "mão de roqueiro" pra dizer que saiu o resultado... e nada.. e passou o dia primeiro, dia dois, dia sete, dia quinze... dia vinte e nada... chegou dia 31... festinha de aniversário do Pablo, o dia foi cansativo, agitado... É... Passou julho!!!! Continuamos sem resposta...

quarta-feira, 8 de março de 2017

Começou o ano mais longo das nossas vidas..

Documentos entregues começo de abril.. e agora?? vamos viver nossas vidas como sempre vivemos, ué.. ok.. vivendo nossas vidas.. uhum... fácil fácil.. eu e minhas coisas de Doula.. tinha uma página no face, de repente surge uma obstetra interessada em me conhecer e fazer parceria.. legal.. nunca fechava nosso encontro.. ela sempre muito atarefada.. ok.. uma hora dá certo..

Escola do Lipe estava nos tirando do sério.. Lipe já tinha ido chorando pra escola com medo da professora.. a escola era tradicional ao extremo e sequer deixava as crianças brincarem no parque na hora do recreio (tá, pode rir da minha cara porque eu falo recreio) porque já tinham que aprender que eram grandes (com 9 anos).. Não... não vamos mudar o Lipe de escola agora se pode ser que ele tenha que mudar de escola de novo final do ano.. deixa.. vamos segurar mais um pouco..

Estávamos vivendo angustiados.. parecia que já tinham passado meses nas nossas vidas.. que nada.. ainda era meados de abril.. aquela indefinição estava nos matando.. mas poxa.. podemos ter resposta só em julho.. vamos viver nossa vida?? ok.. vamos viver.. não.. não conseguíamos.. o mundo girava em torno da possibilidade de mudança.. as decisões que precisavam ser tomadas no Brasil não eram tomadas porque podia ser que nos mudássemos em outubro..

Teve meu aniversário.. amo comemorar.. foi super gostoso.. a Manu, minha amiga de Criciúma veio pra passar o meu dia comigo.. no fim de semana era o aniversário do Lipe (sim, ele nasceu exatamente uma semana depois do meu aniver.. Fofo até nisso).. naquele dia o Lipe foi chorando de novo pra escola com medo de professora.. voltei pra casa.. conversei com a Manu e com o Diego.. chega!!!! gota d'água.. paciência se tiver que mudar de escola de novo final do ano.. não vou deixar meu filho ir chorando pra escola com medo um ano inteiro.. 

Fui lá na escola que ele já tinha estudado antes e eu tinha tirado também por não gostar do método tradicional e por ter esperanças que a outra seria um pouco melhor.. Fiz apenas uma pergunta na escola: "aqui meu filho pode brincar no parque??".. e sim.. ele podia.. e ainda tinha dia do brinquedo na sexta feira.. Ótimo.. decidido.. era um feriadão.. ele não teria mais que ir pra escola velha.. tinha a festinha de aniversário dele no fim de semana.. que só me deixou mais certa ainda da decisão.. na festa tinha mais amigos da escola que ele não estudava mais e ia voltar a estudar na segunda feira do que na escola que ele estudou nos ultimos dois anos.. e os amigos da escola velha nunca deixaram de ir nas festinhas deles nesses dois anos.. estava decididíssimo.. mãe com coração aliviado.. não curtíamos muito a escola.. o método tradicional.. mas enfim.. lá pelo menos ele podia ser criança na hora do intervalo..

A festinha foi numa semana.. na semana seguinte, no domingo teve ensaio da Dbregas, como sempre.. fomos todos pra Floripa..

Na volta pra casa, mais de meia noite.. o Diego dirigindo e eu do lado.. os guris dormindo no banco de trás.. vínhamos conversando.. que massa que tá nossa vida agora, né?? tem essa obstetra querendo me conhecer, estou apostando nela.. não sei porque, mas sinto que ela vai ser o caminho pra eu sair da Celesc e trabalhar como doula.. não precisamos mudar pra Floripa, pq ela é de Itapema.. massa.. agora o Lipe trocou de escola.. perfeito.. tá tudo lindo.. foda-se o visto.. nossa vida está maravilhosa aqui.. :) :) :) Ufa.. que alívio..

Segunda feira.. eu hiper, ultra, mega feliz e com o coração aliviado.. Levei o Lipe no ballet e voltei pra casa, naquela correria que eu vivia sempre em Tijucas.. lembro que eu estava na cozinha fazendo não tenho a menor ideia do que.. vem o Diego fazendo com a mão chifrada (fui pesquisar no google como era o nome daquela mão de roqueiro, kakakakakakakak) e gritando: Fomos sorteados na loteria. Yeeeeesssss!!!!!

Não consegui fazer cara bonitinha.. dentro de mim a sensação era de "fuen fuen fuen fueeeeeeeeenn". Tava tudo tão perfeito.. tão se encaixando.. e minha oportunidade de decolar como Doula?? E o Lipe vai ter que trocar de escola de novo? E?? E?? E???

quarta-feira, 1 de março de 2017

E é dada a largada...

E então..depois de pedir pra vir pra cá e a empresa ter adorado a ideia, fomos ver o que precisava.. e.. fuen fuen fuen fueeeeenn (leiam no ritmo, por favor :oP) ... precisava ter graduação pra pedir o visto.. o Diego tinha começado a faculdade em 2004 em São Paulo, fez um semestre e se mudou pra Urussanga, viajava muito, também nunca foi de estudar, sempre odiou ir pra aula, fazer trabalhos.. enfim.. casamos, ele mudou de universidade porque gostava mais da grade da outra, então abriu a Federal em Araranguá e era o curso que ele queria realmente.. trocou de novo.. aí nos mudamos pra Tijucas e já se passavam 9 anos e nada de luz no fim do túnel..

O cara é um cabeção.. mega inteligente e auto didata.. mas ir pra faculdade sempre foi um martírio.. então, morando em Tijucas ele até já tinha começado um outro curso, pra cumprir aquele protocolo de que você precisa ter uma graduação pro seu pai ficar feliz.. só por isso.. porque afinal, já nos sentíamos bem sucedidos, não sentíamos a necessidade da graduação.. enfim.. agora sentíamos.. agora ele tinha um real motivo pra terminar a faculdade.. mas a ideia de vir morar aqui ia ter que esperar mais um ano, porque ele precisava de pelo menos mais um ano pra terminar..

E passou 2015.. e em outubro de 2015 o Diego veio aqui pela primeira vez.. lembro muito bem que no primeiro dia ele ficou mega deslumbrado.. me mandou mensagem mega empolgado.. "esse lugar é muito massa.. vai ser muito massa morar aqui".. dava pra sentir a emoção pelo texto..

No dia seguinte ele estava triste.. "não vai ser fácil morar aqui, o processo é muito difícil, os meus colegas de trabalho tentaram e não foram sorteados".. Dava pra sentir a tristeza pelo texto.. e fiquei triste também.. porque eu queria MUITO viver outra cultura e oferecer outra cultura pros meus filhos.

O processo do H1B funciona mais ou menos assim.. O governo libera em torno de 60 mil vagas para as empresas trazerem profissionais capacitados porque não teria suficiente nos Estados Unidos pra suprir a demanda (na prática as empresas trazem é mão de obra barata, mas enfim.. deixa essa discussão pra outro dia). Aproximadamente 250 mil pessoas tem uma vaga de emprego as esperando e quem faz toda a parte burocrática é a empresa que quer trazer o futuro funcionário.

250 mil tentantes, 60 mil vagas.. como faz??? sorteio.. aqui eles chamam de loteria.. os 60 mil que foram sorteados terão seu processo analisado e futuramente aprovado ou não.. os demais, esquece.. tenta de novo ano que vem..

Sabendo que os amigos dele tinham tentado e não tinham conseguido e considerando que nunca sequer ganhamos um frango assado em rifas da escola que tinhamos que comprar todo o bloco porque nunca vendíamos.. Já era.. nunca seremos sorteados.. esquece sonho de morar em outro país..

Não.. péra.. precisamos pelo menos tentar.. termina essa faculdade de uma vez!!! e o danado ainda quase reprovou numa disciplina por besteira.. teve que praticamente implorar pro professor, explicar a situação e o professor reconsiderou uma resposta e ele passou.. ufa!!!!

A formatura seria sei lá.. em janeiro, fevereiro.. o diploma de verdade, só Deus sabia quando ia sair.. e toda a documentação teria que estar entregue em abril..

Corre daqui, junta de lá, arruma documento, traduz, separa, digitaliza e envia.. Entregue.. O que podíamos fazer, tá feito.. agora é só esperar.. esperar.. esperar.. mais um pouquinho.. esperar de novo..

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

O porquê da mudança

Dizem que a vida é feita de sonhos.. quanto atingimos um, precisamos arranjar outro, se não a vida não tem sentido..

Nós vivemos em Criciúma (sul de SC) por 6 anos.. nos mudamos de volta pra Tijucas, perto de Floripa, minha terra natal e cidade onde o Diego cresceu, em 2012.. construímos nossa casa, como sempre sonhamos.. minha casa tinha piso que imitava madeira.. como eu sempre sonhei.. e uma churrasqueira de tijolinho a vista.. tinha até balanço pros meninos.. tinha um baita sofá.. que eu vivia jogada nele.. tínhamos a vida perfeita.. e normalmente nesse estágio da vida, as pessoas querem uma casa maior, um carro melhor, e adquirir mais e mais coisas.. nós não queríamos.. nossa vida estava perfeita..


Claro.. tinham alguns ajustes pra serem feitos.. meu emprego me sufocava.. mas a doulagem estava surgindo na minha vida.. mas tinha uma coisa que nos incomovada demaaaaais.. a escola do Lipe.. a escola do Lipe e as opções de escola pra ele.. o Pablo ainda estava no jardim, estava no SESC e adorávamos a metodologia do SESC.. mas em Tijucas só tínhamos opções de escola tradicionais.. daquelas em que você precisa repetir exatamente o que está no livro pra ganhar nota 10.. e claro.. o Lipe, inteligente do jeito que é, aprendeu direitinho como tirar 10 na prova.. ele sabia exatamente o que os professores queriam dele.. e ele fazia.. e era um "ótimo aluno".. ver o potencial do nosso filho e a criatividade dele sendo moldada pra ser quadradinha.. nossa.. aquilo rasgava nossa alma..

Pensávamos em mudar pra Floripa.. os ensaios da Dbregas eram em Floripa.. os shows eram em Floripa.. minha mãe e meus irmãos moravam em Floripa.. as rodas de gestante que eu participava na época também eram.. e uaaauuu.. eu poderia trabalhar como Doula em Floripa.. perfeito.. não.. não era perfeito.. alguma coisa no nosso coração não permitia que a gente fosse morar em Floripa.. olhamos muitos apartamentos.. mas muitos mesmo.. nosso coração não ficava em paz..

Um belo dia, comecinho de 2015.. depois de algum churrasco só nós dois.. ou hamburger.. não sei ao certo.. estávamos sentadinhos no degrau da garagem pro nosso gramado atrás de casa (que saudades que sinto..) e o Diego falou: "estava pensando em pedir pra trabalhar lá, o que tu acha?".. e eu não lembro exatamente como respondi.. mas lembro que me empolguei com a ideia.. claro.. lá posso ser doula.. que máaaaaaaaximo viver outra cultura.. que maravilha, principalmente, poder oferecer uma educação melhor pros nossos filhos..
E lá era aqui.. lá era na empresa que ele já trabalhava remoto há quatro anos.. rolou medo.. rolou medo de pedir e eles não toparem.. rolou medo de pedir e eles toparem.. e então pedimos.. e eles adoraram a ideia.. :)

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Quem nós éramos no Brasil

Engraçado que quando fiz o primeiro post pensei em falar em quem sou.. mas quem eu sou está em construção.. mudar de país é uma loucura tão grande que tu perde completamente a tua referência.. tudo bem, continuo sendo a Carolina, esposa do Diego e Mãe do Lipe e do Pablo.. claro.. seremos assim onde formos.. e isso nos basta.. claro.. mas gente.. eu comia pão de queijo todo dia.. passava no mercado na esquina de casa e comprava.. agora pra comer um pão de queijo eu preciso ir na cidade vizinha pagar uma fortuna no mercado brasileiro.. e isso não é lamentação.. é só constatação sobre como mesmo o mais básico muda completamente..
bom.. mas vamos ao foco do post.. quem éramos no Brasil..

Vamos começar pelos meninos.. Pablo foi o que teve uma mudança menos radical. Mudou "apenas" a escola e o idioma.. Nunca foi de muitos amigos, então não foi tão tensa a mudança Continua amando jogar videogame (que compramos um aqui no dia que chegamos pra fazer a mudança mais leve) e diferente do Brasil, aqui ele gosta de ir pra escola..

Já o Lipe no Brasil fazia natação, ballet e robótica. O Lipe no Brasil era o carinha que todos queriam fazer os trabalhos em grupo com ele, afinal, ele era o "mais inteligente da sala". No ballet ele era hiper, ultra, mega admirado por muitos, afinal, tirando os olhares reprovadores, um menino fazendo ballet numa cidade pequena era sinônimo de muita coragem.. Mesmo tendo trocado de escola em abril, ele tinha amigos em ambas as escolas. Sofreu bastante com o que ficou pra trás.. Ainda sente falta dos amigos.. Mas já tem feito novos amigos por aqui..
 
O Diego trabalhava em casa, na mesma empresa que trabalha hoje, mas em casa. Ele tinha amigos do ensino médio, tinha amigos da primeira empresa que trabalhou e principalmente tinha amigos da banda. No Brasil ele era trompetista de uma banda brega, a Dbregas, e deixar a banda foi com certeza a parte mais difícil da mudança.

E eu.. aaahhhh eu.. nossa.. eu trabalhei 10 anos na distribuidora de energia de Santa Catarina.. por muitos anos eu quis sair.. eu sabia que não tinha nascido praquele emprego, pra trabalhar numa empresa pública, onde eu não pudesse crescer, onde eu não pudesse me expressar.. onde partidos políticos determinavam como as coisas funcionavam.. mas eu não sabia com o que poderia trabalhar.. então em 2014 eu fiz o curso de Doula.. e então finalmente descobri o que eu queria ser quando crescer.. do curso até eu ter coragem de sair do emprego (um emprego onde eu era concursada, o emprego dos sonhos de tanta gente.. bom.. não era o meu.. mas pesava muito eu ter o sonho de tantos na mão e querer jogar no lixo).. bom.. levei quase dois anos pra trabalhar a decisão de sair do emprego.. nesses dois anos fiz vários outros cursos na área (Educação Perinatal, Doula Pós-parto, consultoria em aleitamento materno, massagem pra gestantes) muita roda de gestante, ajudei muitas mulheres com problemas na amamentação, presenciei 3 nascimentos, acompanhei outros a distância..

No comecinho de outubro de 2016 eu me libertei e consegui sair daquele emprego sufocante.. era oficialmente a Carol Doula.. decolando na nova carreira.. e muito feliz por estar fazendo aquilo que eu tinha certaza que é meu propósito aqui nessa vida.. :)

Dia 19 de outubro chegou a resposta do visto: Aprovado!!!