quarta-feira, 12 de abril de 2017

Casinha de lego

Agora precisávamos esperar os passaportes com os vistos chegarem pra comprar as passagens, mas uma coisa era fato: nos mudaríamos muito em breve. Eu estava na "quarentena" da catapora, não podia chegar perto de nenhuma grávida ou recém nascidos. Pablo já estava indo pra escola normalmente e então o caminhão da FedEX estacionou na frente de casa. Eu nunca tinha visto um caminhão desses na minha vida (agora vejo quase todo dia.. hehehehe).

Dieeeeegoooo... Dieeeeeegoooo!!!!! O caminhão da FedEX tá aqui! Os passaportes chegaram! Vai lá receber!!!!! Eu devia estar com medo de receber, sei lá. Mas eu parecia criança correndo e pulando pela casa. Podemos comprar as passagens, teremos uma data, teremos um dia oficialmente pra esperar. Eu vi o dia da apresentação de final de ano do Lipe e sugeri o fim de semana seguinte pra nos mudarmos. Passagens compradas, dia 2 de dezembro embarcaríamos. Temos uma data. E menos de duas semanas pra organizar tudo que tem pra organizar.

A Manu veio passar um dia comigo. Fomos naquela tirolesa em Balneário (foto). Com a Manu não teve chororô, ela sabe que vem me visitar logo logo. A família começou a reclamar porque íamos nos mudar antes do natal. Primeiro: nunca comemoramos o natal, que diferença ia fazer?? Segundo: estávamos esperando esse dia há praticamente dois anos. Não queríamos esperar nem um diazinhozinho a mais. Até minha irmã me chamou de destrambelhada, porque eu estava fazendo tudo correndo.

Então começaram as festas, almoços, shows e tudo mais de despedida. Era festa com a Dbregas, era festa com o pessoal do antigo trabalho do Diego, festa com o pessoal do ensino médio (tem que ser AGORA porque o Diego vai se mudar!!!)... Almoço na sogra TODO dia de semana, almoço na mãe, almoço no pai, amiga vem tomar café, outra amiga vem tomar café, despedida no ioga... Sinceramente, teve uma hora que eu simplesmente não aguentava mais despedidas. Deu! Encheu o saco! Eu queria curtir um pouco a minha casa, deitar na minha rede, namorar meu filtro dos sonhos, ouvir mensageiro dos ventos, me jogar no meu sofá... E não dava, sempre tinha alguma coisa pra fazer.

No meio de todas essas despedidas eu comecei a ficar mal. Eu queria muito vir, muito mesmo. Bom, dá pra ter ideia por todos os posts anteriores. Mas eu sentia que tinha um quebra-cabeças montado, que levei anos pra montar e que deu trabalho pra caramba, e agora eu estava desmontando ele e jogando num saco tudo bagunçado pra ser montado aqui de novo.

Eu, que sempre fui desapegada das coisas materiais, me via sofrendo por ter que me desfazer das minhas mínimas coisas. Eu sofria, eu chorava. Chorei na tarde poética do Pablo, chorei na apresentação de final de ano do Lipe, chorei a última aula de ioga inteirinha, chorei litros no último show da dbregas... Chorei escondidinha quando meu irmão tirou meu sobrinho do meu colo e eu pedi: "deixa eu segurar ele só mais um pouquinho, não sei quando vou segurá-lo de novo" e ele me respondeu com a voz mais ríspida do universo: "ninguém mandou se mudar". Sei que ele estava externando a dor dele naquele momento, ele também não veria os sobrinhos dele tão cedo... Sei que foi a forma que ele achou de me ferir, pra aliviar a dor dele... Mas eu chorei... Porque doeu demais.

Quando conversei com o Diego sobre meu sentimento do quebra cabeças ele disse, sempre muito racional: "mas essa é a graça dos quebra cabeças e casinhas de lego. Montar, desmontar e montar de novo". E então passei a descrever minha experiência como minha casinha de lego, porque por mais que eu queira, e diferente do quebra cabeças, nunca vou conseguir montar outra casinha de lego exatamente igual. Muitas peças ficaram pelo caminho e por aqui existem várias peças diferentes... Mas a base é a mesma, e estamos montando, peça por peça, usando peças novas e peças velhas, nossa nova casinha de lego. :)

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